19 de dezembro de 2015

No trabalho de Arthur Kohl



Por Marcelo Ariel


São mandalas que estão longe de serem os conhecidos símiles típicos de uma funcionalidade terapêutica, as mandalas possuem uma misteriosa e facilmente visível camada de imanência, apontam para interações entre o mineral, o vegetal e o cósmico, para o terrano, o humano e o celeste,  existe a  evocação de uma cosmogonia, é claro, quando um compositor compõe uma peça de fundo místico ou religioso , estarão lá as bases antropológicas que fundamentam a forma deste trabalho, estas mandalas evocam tudo isto  mas  vão um pouco além , estas bases aqui estão temperadas com algo diferente, é como se a natureza fosse filtrada pela sensibilidade do artista , elas são o resultado de  uma espécie de emanação que  se plasmou nestas formas por pura necessidade de expressão, pintar deve ser de todas as artes a que mais se aproxima de uma materialização pura de um estado fenomenológico  do ser. O poeta Rilke aponta em um texto conhecido, para a necessidade de dialogarmos com uma energia da vida que ele chama de ‘ O Aberto’ de onde certamente viriam  seus poemas, seriam eles,  demandas do Aberto , mais do que um estado de transcendência , uma sensibilidade criada pela necessidade de busca deste estado, o mesmo podemos dizer destas mandalas , elas nascem de uma comunicação com uma abertura que talvez resida no não ser da natureza onde o artista habita ou num eco silencioso e profundo que se realizou como pintura de um canto deste Aberto,  que nada tem de metafísico porque repito, se fundamenta nas percepções mais profundas e sensoriais da natureza  que é por si mesma uma força da imanência. As esculturas de Arthur são como extensões ou vasos comunicantes,  materializações desta mesma sinergia. Trata-se de um artista que a cada produção mergulha mais fundo em forças do supraconsciente que tem na natureza sua materialidade, forças que mesmo materializadas se tornaram invisíveis para o humano contemporâneo e que trabalhos como o de Arthur Kohl tornam visíveis para qualquer sensibilidade que seja capaz de enxergar além do óbvio.