17 de março de 2017

Cartografia onírica de seres imaginários na obra de Ju Violeta



Por Marcelo Ariel


O trabalho da artista plástica Jussara Ramos ( Ju Violeta) se caracteriza pela materialização de uma mitologia de matrizes oníricas, como sabemos as fontes profundas do fabulário ou aquilo que Jorge Luís Borges chama num conhecido livro de ‘ Seres imaginários’ é o sonho ou o inconsciente, camadas densas e praticamente fora da linguagem que são traduzidas como uma antropoformização do sobrenatural , de aspectos invisíveis ou inacessíveis  da natureza, uma das funções da arte é tornar visível e neste caso se tornam visíveis fragmentos de memórias do encantatório e do maravilhoso que atravessam a infância, a topologia primordial da nossa vida é habitada por diversos seres fantásticos e/ou imaginários e esta parece ser uma das demandas interiores, o centro gravitacional do trabalho da artista, mas isto ocorre, é bom ressaltar, longe de uma dimensão psicanalítica, embora sejam demandas interiores é o diálogo com o espaço ou seja com a natureza que se torna o principal vetor de todas estas demandas, interioridade que necessita conversar com a exterioridade ou seja com A Pólis, dizemos isto porque é um trabalho que acontece em uma esfera híbrida , entre o grafitte e outras formas artísticas, a escultura, a assemblage e a pintura em acrílico.


Este diálogo é a meu ver, de suma importância, é justamente neste hibridismo que reside o valor maior da obra de artistas que trafegam em zonas de visibilidade urbana, conferindo a estes espaços uma artisticidade, uma alteração do olhar que é encaminhando para uma apreensão do estético como natureza e de interações da natureza como um elemento que dialoga com o estético.


Um outro aspecto da obra de J.V. são as esculturas, desenhos e pinturas que operam uma osmose com plantas, asas de insetos e terra, criando uma dimensão paisagística como uma espécie de espaço intermediário de materialização desta cartografia em processo em nosso mundo objetivo, isto deriva , talvez de um pensamento complementar que dentro do ideário estético, é uma outra camada da interioridade ( os seres imaginários-encantatórios) que precisa da exterioridade ( natureza espacial), este parece ser o projeto maior da artista e aquilo que a move.