10 de junho de 2015

A Hora e a Vez do Ator




Por Marcelo Ariel


" Torna-te aquilo que és "

Píndaro


Fruto do Laboratório Dramático do Ator, importante trabalho de pesquisa e composição do diretor Antônio Januzelli , este primeiro e surpreendente trabalho da Cia do Sopro, um solo de Rui  Ricardo Dias que tem por base o conto ' A Hora e a Vez de Augusto Matraga ' de João Guimarães Rosa adaptado pelo ator,  a primeira coisa a ser dita é que existe uma estética do despojamento, da exposição do humano como centro e do ator como vetor de uma  topologia regional-universal que parte do cênico para chegar na expressão de  etnopoéticas, a estória e a história estão representadas com suas  diversas de vozes fundantes de uma topologia, como nos contadores de histórias da ancestralidade africana chamados de Griots, um corpo viaja internamente/externamente para  outros corpos que são também estados do espírito e  lugares míticos. Este é um espetáculo raro em que fica visível o invisível, num trabalho de materialização/corporificação das metáforas do conto rosiano. Rui Ricardo Dias se arrisca e se sai muito bem na tarefa de criar composições em camadas que poderiam resvalar na caricatura e  isso não acontece,   por causa da entrega do ator que realiza um esforço de intensa delicadeza com a precisão de um arqueiro zen e  graças a uma ótima condução/composição de Januzelli, do iluminador Oswaldo Gazotti , da pesquisa idiomática de Joaquim Dias da Silva e da preparação corporal de Luis Louis, ótimos auxiliares-compositores deste raro espetáculo.