COITO
PAUTADO
Caldeira
de diabos elétricos / minha pele à caça de teus fornos
A
noite entrada em meus batimentos
a
febre levanta pirâmides de agulhas capazes de aparecer
montanhas
em meu marulhar
Teu
corpo é meu solzão: meu porão negro / minha Rosa Maior &
meu pandeiro
o
canil de éter & cadências que me tornam 1 bruto pavão
chicoteador
de camas
& leito de Grijalvas sexo na selva
& nave florida & rinoceronte com arpão de
prata
Na
rua ou em quartinhos
Enterrado
em areia ou em teus beijos
Astros
de esperma: martelos vivos cuspo empurro lanço adiante
à
rua o lábio minguante em que te embales
Nem 1 dedo perderei
/ nem 1 mão de meus naipes
Teu
sereno: teus terremotos são
minha hóstia / são minha droga
o
peixe de sangue que derrama com sua dança meus oceanos
Desde
estas alvuras já não sei
se
ferrei tua sela de montaria ou tuas patas
fendidas
A cama / que
herdaste de tuas tias ainda me tenta
A
Maga de Oliveira & de Cortázar eu a encontro sob a válvula gotejante
de
teus uivos brancos
Caldeira
forjada na lira de sátiros suarentos
Paisagem
que em seu olho / elege os pincéis & os agentes nos quais
se há de banhar o Action Painting
Caldeira
de diabos elétricos
tua
pele contra minha pele faz milagres
COITO PAUTADO
Caldera de diablos eléctricos / mi
piel a la caza de tus hornos
Entrada la noche en mis latidos
la fiebre levanta pirámides de
agujas capaces de aparecer
montañas en mi oleaje
Tu cuerpo es mi solazo : mi sótano
negro / mi Rosa Mayor
& mi pandero
la perrera de éter & cadencias
que me vuelve 1 bruto pípila
latigueador de camas
& lecho de Grijalvas sexo en
selva
& nave florida &
rinoceronte con arpón de plata
En la calle o en cuartitos
Enterrado en arena o en tus besos
Astros de esperma : martillos
vivos escupo empujo lanzo al frente
a la calle o labio menguante en
que te arrulles
Ni 1 dedo perderé / ni 1 mano de
mis naipes
Tu rocío : tus terremotos son mi
hostia / son mi droga
el pez de sangre que derrama con
su danza a mis océanos
Desde estas alburas ya no sé
si herré tu silla de montar o tus
pezuñas
La cama / que heredaste de tus
tías aún me tienta
La Maga de Oliveira & de
Cortázar la encuentro bajo el grifo goteante
de tus aullidos blancos
Caldera horneada en la lira de
sátiros sudados
Paisaje que en su ojo / elije los
pinceles & el activo en los que ha de
bañarse el Action Painting
Caldera de diablos
eléctricos
tu piel contra mi piel hace milagros
HOUDINI’S SONG
I
Vivo minha desaparição
À hora dos relógios moles
À hora dos relógios moles
Parido
pelas contrações – sopro de lagarta desta espécie-fim de festa
Preso
inclusive no guisado de grilos dos eus
II
Montanhas rubras carregam o dia
Em pleno tu / absorto em nos
vou / cavando
não para trás
nem fazendo muuuu
III
O já amado ainda
unge lume
As pombas não
petiscam com o Cristo do perdão
O que mais dizer /
fendido o machado
Fulgura minha fuga
espelho: o céu
Me desatei
Arrebento
frontõesNão sou aposta
Odeio meu juiz
HOUDINI`S SONG
I
Vivo mi desaparición
A la hora de los relojes blandos
Madreado por las
contracciones-soplo de oruga de esta especie-fin de fiesta
Atrapado incluso en la olla de
grillos de los yos
II
El bosque vidriado corre hacia
el río
hormigueros de videntes beben
mirlos
Montañas rojas cargan al día
En pleno tú / absorto en nos
me voy / cavando
no hacia atrás
no haciendo muuus
III
Lo ya amado aún unge lumbre
Las palomas no meriendan con el
Cristo del perdón
Qué más decir / hendida el hacha
Fulge
mi fuga
espejo: el cielo
Me he desatado
Rompo frontones
No soy apuesta
Odio a mi juez
VIVI / AS MAROLAS FEITICEIRAS DA VERTIGEM
na
flor vagina da flor
na
guerra aberta que une o céu com seu inferno
no
rude aviãozinho do hoje sou
no
passo do calor / que é um baile novo
na terra de meus pares, meus irmãos
Na terra de minha terra a assombrada
Na terra de minha terra a assombrada
no
vento de pestanas
no
vento de cobras
Incendiado
por 1 lago de mulher
:
cinza branca de enigma purinho :
HE VIVIDO / LAS MAREJADAS
HECHIZAS DEL VÉRTIGO
en la flor panocha de la flor
en la guerra abierta que une al
cielo con su infierno
en el rudo avioncito del hoy soy
en el paso del calor / que es
baile nuevo
en la tierra de mis pares mis
hermanos
En la tierra de mi tierra la
asombrada
en el viento de pestañas
en el viento de culebras
Incendiado por 1 lago de mujer
: ceniza blanca de puritito
enigma :
CREIO SOMENTE NA QUEDA DE ESTRELAS
Sobre
as pontes que descubro
1 cemitério de
vidros
:o ex-bendito
chiqueiro:
ficou adormecido
o odor de tanto
trator sangrante
/onde quebram a
cintura os acampamentos ciganos /
Pegadas
de mim
que
pendem
& naquelas que
digo: Não creio
entretanto nem
nas chuvas de ouro velho nem de cabras
Nem
na irrealidade deste rio
em que de santa
gana me afogo
como se 1 punhal sem rumo
soltasse o sol de meus ecos
NO
CREO MÁS QUE EN LA CAÍDA DE ESTRELLAS
Sobre los puentes que descubro
1 cementerio de vidrios
: el ex bendito chiquero :
Se ha quedado dormido
el olor de tanto tractor
sangrante
/ donde quiebran la cintura los
campamentos gitanos /
Huellas de mí
que cuelgan
& en las que digo : No creo
por lo pronto ni en las lluvias
de oro añejo ni de cabras
Ni en la irrealidad de este río
en el que de santa gana me ahogo
como si 1 daga sin rumbo
jalara al sol de mis
ecosMario Santiago Papasquiaro é o nome artístico do poeta mexicano José Alfredo Zendejas Pineda (1953-1998), que foi um dos fundadores, com Roberto Bolaño, do Movimento Infrarrealista. Papasquiaro foi o modelo para o personagem Ulisses Lima, do livro “Os detetives selvagens”, de Bolaño.
Tradução: Luiz Roberto Guedes